“As Crianças e jovens têm direito a um espaço educacional, seja uma creche, pré-escola ou escola, de qualidade” (Sodré, 2005, p. 80).
“É nos ambientes construídos que as pessoas vivem, trabalham, estudam e realizam grande parte das actividades do seu dia a dia” (Sodré, 2005, p.73).
Ornstein (1995, cit. por Sodré, 2005) refere que as edificações deverão estar voltadas para responder às necessidades dos seres humanos.
Souza (2003, cit. por, Sodré, 2005) em seus estudos constata que a qualidade do espaço educativo favorece o desenvolvimento da autonomia das crianças, por isso esse espaço deve ser pensado e organizado em função delas.
No mesmo sentido refere Sager e tal. (2003, cit. por, Sodré, 2005), que os espaços exteriores deverão ser definidos espacialmente, devendo dispor de uma variedade de opções de actividades, deverão ter árvores, areia e material de diversão, promovendo desta forma um ambiente mais harmonioso, tranquilo, estimulando a concentração da criança e evitando os conflitos.
Santana (2000, cit. por, Sodré, 2005) após ter realizado um estudo sobre o espaço educacional, diz que nem todos os processos de interacção são propícios ao desenvolvimento da criança, este, esta dependente das características do espaço físico dos ambientes educacionais e a forma como este está preparado. Mais ainda, estes espaços deverão estar em perfeita consonância com os objectivos pedagógicos.
O conhecimento que a criança vai adquirindo vai sendo sistematizado à medida em que ela vai interagindo com o ambiente, assim, “o espaço físico é o domínio onde a criança vivência as suas relações sociais, interagindo com este e dividindo nele o processo de construção das ideias nos diálogos, debates e jogos (…) assim, através das experiências nestes ambientes é que ela começa a definir limites e territórios e as vivências de deslocamento são de vital importância para o desenvolvimento das suas habilidades “ (Azevedo; Bastos, 2002, cit. por, Sodré, 2005, p.76). Referem também, que as edificações abafadas, húmidas e mal ventiladas diminuem a atenção das crianças.
Mais ainda, deverão existir espaços destinados às brincadeiras e aos jogos, quer exteriormente quer interiormente, o mobiliário interior deverá ser confortável, colorido de forma a estimular os sentidos e a criatividade, o mobiliário exterior deverá ter tons mais carregados.
“Os ambientes eficazes de aprendizagem podem requerer reorganização constante do espaço da sala de aula para permitir a movimentação dos alunos, acesso aos materiais e uso prático do espaço” (Wadsworth, 1984, cit. por Marques, 1999 p.37).
Marques (1999), refere que a sala de aula deverá ser um estímulo para a aprendizagem, por isso, os materiais necessários para o desenvolvimento da criança deverão estar ao alcance destas. “um ambiente fértil em estímulos …que suscitem a aprendizagem” (Marques,1999 p.35).
No mesmo sentido Montessori (1949, cit. Por Marques, 1999) diz, que ensinar deverá ser sinónimo da construção de ambientes onde a criança possa desenvolver-se de forma integral. O ambiente onde a criança esta inserida deverá ser adequado às suas características, de forma a possibilitar-lhe manipular, experimentar, agir, trabalhar, descobrir e assimilar. Desta forma quer os equipamentos quer o mobiliário deverão conter as dimensões e o peso proporcionais às crianças. Os materiais da sala de aula deverão ser adaptados à idade e ao tamanho das crianças, por isso, as mesas, cadeiras, casas de banho, as janelas deverão ser ajustadas à idade da criança.
Montessori foi a primeira a descobrir a importância do ambiente da sala de aula no desenvolvimento da aprendizagem. Para ela tudo o que existe na sala de aula deverá ser fruto de uma preparação estruturada, tendo como objectivo tornar a criança autónoma, responsável e auto disciplinada.
“O meio físico tem impacto directo e simbólico sobre os seus ocupantes facilitando e/ou inibindo comportamentos” (Elali, 2003 p.310).
A qualidade de vida da criança exige que se compreenda os contextos ambientais em que ela se encontra inserida, e que se compreenda as relações que se estabelecem entre si. Sendo a escola um destes contextos é importante ter atenção às características sócio-físicas do seu ambiente. Para que a criança cresça e se desenvolva de forma integral, terá de contactar e envolver-se com espaços variados tanto os naturais como os construídos pelo homem (Elali, 2003).
Verifica-se que cada pedagogia delimita o ideal de ambiente físico, por exemplo, Pestalozzi alertou para a substituição da lousa como crucial, para a prática do jogo, da psicomotricidade e para a jardinagem em ambiente escolar. Froebel, alertou para a promoção da integração escola/natureza. Decroly alertou para os espaços verdes e para a existência de animais na escola de modo a possibilitar às crianças um acompanhamento ao longo das estações. Freinet, alertou para o trabalho em grupos logo as mesas eram necessariamente grandes.
Contudo, hoje pensa-se mais na escola aberta, ou seja, sem muitas divisões internas e quando necessárias deverão ser leves (Elali, 2003).
Assim, depara-mo-nos com uma relação temporal entre a pedagogia e a arquitectura, sendo aceitável dizer que o ambiente físico escolar é contingente e situacional. Mas, o ambiente escolar ideal será aquele que não delimita demasiadamente a criança nem os seus comportamentos. Dado que o seu processo de desenvolvimento é exigente, o ambiente escolar deverá ser capaz de responder às necessidades inerentes a cada fase de desenvolvimento da criança, garantindo-lhes uma efectiva qualidade de vida (Elali, 2003).